Marcelo Albuquerque Corrêa (1)
Membro efetivo – Cadeira no. 54
RESUMO
O presente artigo analisa a Igreja de São José, localizada em Belo Horizonte, sob a perspectiva da permanência das formas artísticas, arquitetônicas e das tradições estilísticas herdadas da Antiguidade e da Idade Média, a partir do conceito de Longa duração do historiador Fernand Braudel. A edificação dialoga com a tipologia das basílicas romanas, incorporando elementos das arquiteturas bizantina, românica e gótica. No plano decorativo, na perspectiva do ecletismo dos séculos XIX e XX, observa-se a presença de repertórios associados ao neomanuelino, ao bizantino, ao românico, ao movimento Arts and Crafts e ao Art Nouveau. Tais características revelam uma síntese de permanência formal e ecletismo ornamental, próprios do período de construção da igreja, no início do século XX. O texto fundamenta-se em fontes oficiais e comparações tipológicas com edifícios paradigmáticos da história da arquitetura civil e sacra.
Palavras-chave: arquitetura sacra; basílica; neomanuelino; Igreja de São José; Belo Horizonte.
ABSTRACT
This article analyzes the Church of São José, located in Belo Horizonte, through the lens of the persistence of artistic and architectural forms and stylistic traditions inherited from Antiquity and the Middle Ages, based on the concept of longue durée developed by historian Fernand Braudel. The building engages in direct dialogue with the typology of Roman basilicas, incorporating elements from Byzantine, Romanesque, and Gothic architectures. From a decorative perspective, in the context of the eclecticism of the 19th and 20th centuries, one observes the presence of stylistic repertoires associated with the Neo-Manueline, Byzantine, Romanesque, Arts and Crafts, and Art Nouveau movements. These characteristics reveal a synthesis of formal permanence and ornamental eclecticism, typical of the early 20th century, when the church was constructed. The text is based on official sources and typological comparisons with paradigmatic buildings in the history of civil and sacred architecture.
Keywords: Sacred architecture; Basilica; Neo-Manueline; Church of São José; Belo Horizonte.
INTRODUÇÃO
Este artigo propõe-se a analisar a Igreja de São José, localizada no centro de Belo Horizonte, como ponto de convergência entre história local e tradições arquitetônicas universais. Sua redação tem finalidade didática e aplica-se, sobretudo, ao ensino de História da Arte nas áreas de Arquitetura e Urbanismo, Design e Artes Visuais, bem como aos cidadãos, de forma geral, interessados na história da capital mineira. A análise da Igreja de São José permite, em contexto pedagógico, articular o estudo das grandes tradições estilísticas, como a basílica romana, o gótico, o bizantino ou o românico, com manifestações concretas da memória cultural mineira.
O conceito de Longa duração, formulado por Fernand Braudel, em 1958 (BRAUDEL, 1990), designa as estruturas históricas de permanência que se mantêm ativas ao longo de séculos ou milênios, condicionando de modo contínuo a organização das sociedades humanas. Em contraste com a curta duração, que se refere a eventos efêmeros como batalhas, revoluções ou governos, e com a média duração, que abrange ciclos institucionais, econômicos ou sociais com extensão de algumas gerações, a longa duração diz respeito a elementos quase imutáveis: os sistemas de crenças, os regimes climáticos, a geografia e as mentalidades coletivas. Um exemplo clássico seria a persistente centralidade do mar Mediterrâneo como eixo civilizacional desde a Antiguidade até a contemporaneidade. No contexto mineiro, a Igreja de São José, em Belo Horizonte, permite ilustrar esse conceito ao retomar, em sua planta basilical e elementos formais, o legado arquitetônico das basílicas paleocristãs e medievais, herança estruturante que se perpetua na cultura ocidental. A disposição axial, a nave central flanqueada por colaterais, a elevação do altar em abside semicircular e o uso de arcadas evocam modelos consagrados desde o século IV. Essa continuidade, entre o templo cristão antigo e a igreja eclética construída no início do século XX, exemplifica uma permanência que atravessa as mutações conjunturais e reafirma, no presente, uma forma tradicional no espaço urbano.
Nesse sentido, a cidade transforma-se em uma sala de aula a céu aberto, oferecendo ao estudante, morador e visitante a possibilidade de reconhecer, em seu entorno, os vestígios e permanências da história. Ao deslocar a história da arte dos manuais consagrados para a paisagem urbana de Belo Horizonte, o ensino torna-se mais sensível, enraizado e formativo. A Igreja de São José, por seu valor arquitetônico, simbólico e ornamental, apresenta-se como objeto privilegiado para essa pedagogia do olhar.
O presente estudo propõe, assim, um exercício de leitura do espaço urbano sob perspectiva crítica e patrimonial, estimulando nas novas gerações o reconhecimento e o apreço pelo legado artístico e cultural de Minas Gerais. Ao compreender a inserção da Igreja de São José no contexto das formas arquitetônicas de longa duração, amplia-se também a percepção da cidade como palimpsesto histórico, onde o passado é constantemente reatualizado na paisagem construída. A preservação da memória, portanto, não se restringe à conservação material, mas depende da formação de um olhar atento, sensível e fundamentado, papel que cabe, em grande medida, à educação.
A partir da análise da planta basilical da Igreja, de seus elementos formais e de suas referências estilísticas, como o neomanuelino (2), o Art Nouveau (3), o Arts and Crafts (4) e o historicismo gótico e bizantino, este artigo busca integrar história mundial e patrimônio local, valorizando a articulação entre erudição acadêmica e prática pedagógica.
CONTEXTO HISTÓRICO E CONSTRUÇÃO DA IGREJA DE SÃO JOSÉ
A construção da Igreja de São José está diretamente ligada à história da formação urbana de Belo Horizonte, inaugurada recentemente como nova capital de Minas Gerais no final do século XIX. Em fevereiro de 1900, a cidade tinha cerca de 14 mil habitantes e apenas uma paróquia em funcionamento. Visando ampliar a assistência religiosa à população, o então bispo de Mariana, Dom Silvério Gomes Pimenta, convidou os missionários redentoristas holandeses a se estabelecerem na cidade e assumirem a nova paróquia, dedicada a São José. A posse da paróquia ocorreu ainda naquele ano, sob a liderança do padre Pedro Beks, tornando-a a segunda paróquia criada em Belo Horizonte (SANTUÁRIO SÃO JOSÉ, 2025).
Nos primeiros anos, as celebrações religiosas eram realizadas na modesta capela de Santo Antônio, que ainda existe na confluência das ruas Tamóios e São Paulo. Coube ao Pe. Pedro a escolha do terreno para a construção da nova matriz e optou pela colina situada entre as ruas Espírito Santo e Tamóios, com fachada voltada para a Avenida Afonso Pena. A posição elevada do lote, no centro do quarteirão, conferia proeminência simbólica e urbana à futura igreja. A pedra fundamental foi lançada solenemente em 20 de abril de 1902. A partir de 1904, o templo, ainda em construção, passou a ser utilizado para as funções litúrgicas, ainda em construção, com sua conclusão final ocorrendo em 1910.

Figura 1: Igreja São José (Belo Horizonte). Foto: Marcelo Albuquerque (2024).
O projeto arquitetônico da nova matriz é de autoria do engenheiro brasileiro Edgard Nascentes Coelho. A execução da obra coube ao irmão leigo redentorista Gregório Mulders, de origem holandesa, e a escadaria monumental, que hoje configura a entrada da igreja como uma elevação simbólica, foi idealizada e construída por outro irmão leigo, também holandês, Verenfrido Vogels. O edifício possui planta em cruz latina perfeitamente definida, com 60 metros de comprimento por 19 metros de largura, e foi construído em alvenaria de tijolos aparentes, com estilo definido como “manuelino”, embora apresente também fortes traços do ecletismo europeu predominando de influências holandesas. Vista do alto, como do edifício Acaiaca, a igreja parece estar sobre um cálice formado pelas escadarias e pelas rampas laterais de acesso, imagem que reforça a simbologia eucarística de sua arquitetura.
O interior da igreja foi decorado com riqueza e simbolismo, em consonância com o ideário catequético da arte sacra. A decoração pictórica teve início em agosto de 1910 e ficou a cargo do artista alemão Guilherme Schumacher, que concluiu os trabalhos no final de 1912. Sua pintura destaca-se pela variedade de cores e composição narrativa, resultando em um espaço litúrgico visualmente envolvente. Os capitéis das colunas internas são da ordem coríntia, esculpidos com folhas de acanto e volutas, reafirmando o vínculo da arquitetura sacra com a tradição clássica. O presbitério apresenta-se de maneira grandiosa, culminando em abside e um altar-mor onde se encontra um painel que representa a Santíssima Trindade, cercada por anjos e santos em adoração.
No teto do presbitério, a imagem de Nossa Senhora com o Menino Jesus é acompanhada por 40 medalhões que retratam os antepassados de Jesus, de Abraão a São José, formando uma genealogia visual que reafirma os fundamentos bíblicos da fé cristã. Nas paredes, encontram-se os quatro evangelistas e, ao lado das janelas inferiores, os doze apóstolos. Sobre os grandes arcos da nave central, veem-se os Doutores da Igreja e a imagem de São José, padroeiro da paróquia. Nos altares laterais do lado direito, há representações da vida de Santo Afonso, da promessa da Redenção a Adão e Eva e da aparição de Nossa Senhora de Lourdes a Santa Bernadete. Do lado esquerdo, estão cenas relativas à história do quadro de Nossa Senhora do Perpétuo Socorro, o Calvário e a aparição do Sagrado Coração de Jesus a Santa Margarida Maria Alacoque.
O corpo da igreja abriga um programa iconográfico notável. Em seu clerestório, encontram-se representações de 14 santos de um lado e 14 santas do outro, conforme o costume da época, que previa a separação dos fiéis por gênero durante as celebrações. Ao longo da cornija superior da nave, oito quadros — quatro de cada lado — narram episódios da vida de São José. Na parede posterior da igreja, dois grandes painéis retratam a história de José do Egito: sua venda pelos irmãos e sua exaltação como ministro do faraó. As naves laterais incluem os doze signos do zodíaco, dispostos como símbolos da soberania divina sobre o tempo e a história. A presença desses signos, por vezes erroneamente associada a esoterismos, inscreve-se na tradição iconográfica cristã medieval, que via no zodíaco a representação da criação e da ordem cósmica criada por Deus.
Em termos de funcionalidade pastoral, destaca-se ainda o convento localizado na rua Tupis, edificado no mesmo ano da pedra fundamental da igreja, em 1902, que abriga até hoje os padres redentoristas. Com sua fachada em tijolos aparentes e influência arquitetônica europeia, o conjunto forma um núcleo religioso de grande relevância patrimonial. Além disso, a igreja mantém uma ampla área verde e estacionamento para os visitantes. Segundo estimativas da própria instituição, o templo recebe diariamente cerca de 1.500 pessoas e cinco mil fiéis aos finais de semana, consolidando-se como um dos mais relevantes centros religiosos e culturais de Belo Horizonte.
A restauração da Igreja São José, iniciada em 2009, foi conduzida pelo Grupo Oficina de Restauro, especializado na preservação de bens culturais. O processo revelou as cores originais da fachada, substituindo o tom bege por uma paleta vibrante de vermelho terracota, laranja mostarda, verde oliva e azul turquesa. Essa intervenção não apenas recuperou a estética original do templo, mas também realçou os detalhes arquitetônicos concebidos por Edgard Nascentes Coelho em 1901. A restauração foi financiada por doações da comunidade.
REFERÊNCIAS À TRADIÇÃO BASILICAL E À ARQUITETURA SACRA HISTÓRICA
As basílicas romanas, derivadas das stoas gregas, de onde se origina o termo “estóico”, construídas inicialmente como edifícios civis, exerciam funções jurídicas, administrativas e comerciais. De acordo com Gombrich (1999), eram espaços públicos de grande capacidade, onde se realizavam julgamentos, audiências e assembleias políticas. A planta arquitetônica destas construções seguia, em geral, uma disposição longitudinal, composta por uma nave central ampla, ladeada por uma ou duas naves laterais separadas por colunatas. Essa configuração permitia grande concentração de pessoas e circulação interna fluida. Ao fundo do edifício, situava-se a abside semicircular, elevada em relação ao restante da nave, destinada ao tribunal e, frequentemente, ocupada por uma escultura do imperador entronizado, símbolo da autoridade imperial e da justiça.

Figura 2: Ágora de Atenas e a Stoa de Átalo II (reconstrução do século XX). À direita, Fórum (Roma). Fotos: Marcelo Albuquerque (2025).

Figura 3: Marcelo Albuquerque: Basílica Julia. Desenho a partir de modelo 3D de L.VII.C. Nanquim e caneta marcador, 21 x 29 cm (2018).
Com a oficialização do Cristianismo, especialmente a partir do reinado de Constantino no século IV, esse modelo de edifício civil foi adotado como matriz para a construção dos primeiros grandes templos cristãos, como as basílicas de São João de Latrão e a de São Pedro, em Roma. Essa escolha deve-se a dois fatores principais: a ampla capacidade de acolhimento das assembleias litúrgicas e a ausência de conotações religiosas pagãs. Ao contrário dos templos pagãos, como os dedicados a Júpiter ou Minerva, cuja tipologia se baseava na cela interna voltada à morada da divindade e não ao culto público coletivo, a basílica possibilitava a organização do espaço em função da participação comunitária dos fiéis, da leitura das Escrituras e da celebração eucarística. Vale reforçar as características gerais dos cultos na Roma Antiga e em outras civilizações no Mediterrâneo e Oriente Próximo, onde os templos eram restritos aos sacerdotes, com altares (aras) externos dedicados ao sacrifício de animais. A população, em geral, realizava seus sacrifícios nas partes externas dos templos, com participação dos sacerdotes, e só podia adentrar os recintos sagrados dependendo da tipologia templária, aberta ou restrita aos iniciados. Havia grandes templos de peregrinação, como o Parthenon de Atenas, que podiam acolher os religiosos e os tesouros, mas não se assemelhavam às características fundamentais da liturgia católica. Mircea Eliade, em seu célebre livro O Sagrado e o Profano, comenta a respeito das basílicas e seus simbolismos, que derivam de práticas antigas e não denotam “paganismo” no seio da Igreja Católica, como alguns incautos poderiam argumentar:
“A basílica cristã, e mais tarde a catedral, retoma e prolonga todos esses simbolismos. Por um lado, a igreja é concebida como imitação da Jerusalém celeste, e isto desde a antiguidade cristã; por outro lado, o vínculo reproduz igualmente o Paraíso ou o mundo celeste. Mas a estrutura cosmológica do edifício sagrado persiste ainda na consciência da cristandade: é evidente, por exemplo, na igreja bizantina. As quatro partes do interior da igreja simbolizam as quatro direções do mundo. O interior da igreja é o Universo. O altar é o Paraíso, que foi transferido para o Oriente. A porta imperial do altar denomina-se também porta do Paraíso (ELIADE, 1992, p. 57-58)”.

Figura 4: Ruínas da biblioteca da Basílica Úlpia, no Fórum de Trajano. À direita, Basílica de Constantino, vista do Palatino. Fotos: Marcelo Albuquerque (2015; 2025).
Assim, a arquitetura cristã adaptou a planta basilical com nítida hierarquia espacial: a nave central, mais alta e iluminada por clerestórios, tornou-se o eixo principal, conduzindo visualmente à abside onde se localizava o altar. As naves laterais, de menor altura, facilitavam o trânsito dos fiéis e, com o tempo, passaram a abrigar capelas e imagens devocionais. A abside, antes espaço de poder civil, foi sacralizada com a introdução do altar cristão e, posteriormente, enriquecida por mosaicos e iconografia sacra, substituindo as estátuas imperiais e a iconografia politeísta romana. Esse eixo culminante da planta era reservado à celebração litúrgica, aos padres, bispos e ao presbitério, constituindo o ponto focal do templo. O debate sobre a licitude do uso de imagens no catolicismo foi constante durante a Idade Média, culminando na vitória dos iconófilos sobre os iconoclastas no século VIII, no Império Bizantino, abrindo caminho para a arte sacra que influenciaria as manifestações artísticas do Ocidente, como o românico e o gótico.
Com o advento do cristianismo, novas configurações enriqueceram o modelo basilical. O transepto, volume transversal à nave central, foi adicionado progressivamente, conferindo à planta o formato de cruz latina. No ponto de intersecção entre a nave e o transepto formava-se o cruzeiro, frequentemente coberto por cúpula, elemento consolidado nas basílicas bizantinas e ocidentais. A abside, por sua vez, passou a ser ladeada por pequenas absidíolas ou capelas radiais, especialmente nas igrejas de peregrinação e nas grandes catedrais góticas, destinadas à veneração de relíquias e ao culto de santos específicos. A introdução dos campanários (torres sineiras) acrescentou nova dimensão vertical à arquitetura eclesiástica. Inicialmente funcionais, destinados a chamar os fiéis para os ofícios religiosos, os campanários também assumiram papel simbólico e compositivo. Em muitos casos, como na Basílica de São Marcos, em Veneza, ou na Basílica de Pisa, os campanários foram construídos separadamente da estrutura principal da igreja, por razões litúrgicas, técnicas ou urbanísticas. O exemplo mais célebre é a Torre de Pisa, cuja inclinação acidental a tornou um marco visual inconfundível. Em outros casos, como nas catedrais de Chartres e Amiens, os campanários se integraram às fachadas ocidentais, formando pares de torres que emolduram o pórtico principal e conferem monumentalidade à entrada.

Figura 5: Igreja de São José. Planta em cruz latina. Foto: Google Maps (2025). Plantas basilicais romanas: Basílica Emília e Basílica de Constantino (1), no Fórum Romano. Planta da basílica de Santiago de Compostela (2) Fonte: Adaptado de Wikimedia Commons (domínio público).
A cidade de Ravena oferece exemplos emblemáticos da transição entre a basílica romana e a igreja cristã bizantina. Na Basílica de San Vitale (século VI), embora a planta seja centralizada e octogonal, a abside e a iconografia em mosaicos seguem o modelo basilical, destacando-se os painéis de Justiniano e Teodora em posição hierática. Já a Basílica de Sant’Apollinare in Classe preserva a planta basilical tradicional com nave central, naves laterais, abside e clerestório, reafirmando a permanência formal herdada de Roma. A Basílica de Santa Sabina, em Roma, do século V, é um exemplo da fase primitiva do cristianismo. Sua planta mantém a clareza da disposição longitudinal: a nave central ampla, elevada e iluminada; naves laterais mais baixas; abside semicircular; e colunatas com capitéis coríntios reaproveitados de edifícios clássicos. Santa Sabina antecipa o modelo de igreja funcional e simbólica que se consolidará ao longo dos séculos.

Figura 6: Abside e altar-mor. À direita, nave central. Igreja São José (Belo Horizonte). Fotos: Marcelo Albuquerque (2024).
Na Alta Idade Média, esse modelo evolui para atender às exigências das grandes peregrinações. A Catedral de Santiago de Compostela (século XI), na Galícia, apresenta planta basilical com transepto saliente, deambulatório e absidíolas, facilitando o fluxo dos fiéis em torno do altar-mor e das relíquias do apóstolo Tiago. No gótico pleno, a Catedral de Amiens (século XIII) leva esse esquema ao paroxismo vertical: nave central altíssima, esbeltos pilares, clerestórios com vitrais e transepto marcado por portais ornamentados. Apesar das inovações estruturais, como os arcobotantes e as ogivas, a planta basilical, com sua hierarquia de espaços, permanece o modelo fundamental da arquitetura sacra.
Durante a Baixa Idade Média, entre os séculos XI e XIV, observou-se uma intensa expansão e reconfiguração das basílicas cristãs, impulsionada pelo crescente afluxo de fiéis em busca das relíquias sagradas e pela consolidação de centros de peregrinação, como Santiago de Compostela, Roma, Paris, Amiens e Jerusalém. A ampliação das igrejas visava não apenas comportar a multidão de devotos, mas também organizar o fluxo litúrgico e devocional por meio da inserção de deambulatórios, absidíolas e capelas radiantes. Paralelamente ao espaço de culto, a Igreja instituiu uma série de complexos voltados à assistência e à formação: asilos para desamparados, hospitais para peregrinos e doentes, orfanatos e escolas monásticas que mais tarde dariam origem às universidades medievais. Estes anexos não eram meros apêndices funcionais, mas partes integrantes do tecido urbano e espiritual das cidades cristãs, inserindo-se no ideal de caridade como expressão concreta da fé. A basílica medieval tornou-se, assim, não apenas casa de oração, mas também centro de cuidado, saber e hospitalidade, expressão arquitetônica e institucional do papel civilizatório da Igreja no mundo medieval.
As catedrais medievais podem ser compreendidas como autênticos “livros de pedra”, expressão que denota sua função pedagógica e formativa para além do culto religioso. Ao serem erguidas com riqueza iconográfica, escultórica e arquitetônica, serviam de suporte visual para a catequese e a formação do povo cristão, em uma época em que a maioria dos fiéis era iletrada, incluindo até reis e nobres, como aconteceu com Carlos Magno, iletrado até a idade adulta. Em seus tímpanos, vitrais, capitéis e portadas, encontram-se representações não apenas de cenas bíblicas do Antigo e do Novo Testamento, mas também de episódios da própria história da Igreja, como as vidas dos mártires, os milagres dos santos, os concílios, as disputas doutrinais e os feitos de doutores e fundadores. A história da salvação não era entendida como algo restrito à era apostólica, mas como uma continuidade das ações de Deus na Terra, manifestadas na trajetória da Igreja ao longo dos séculos e na comunhão dos santos que testemunharam a fé em contextos históricos distintos, cujas memórias estão fixadas na pedra.

Figura 7: Basílica de San Vitale, em Ravena, Itália. Ícone da arte bizantina em seus primórdios. Abaixo, Basílica de Santa Sabina, do século V: um exemplo perfeito de basílica cristã no contexto das primeiras décadas de oficializacão do cristianismo como religião oficial do Império Romano Fotos: Marcelo Albuquerque (2025).
Além do conteúdo estritamente cristão, essas catedrais preservaram e transmitiram, em sua ornamentação e disposição simbólica, a herança da cultura clássica. Nichos e tímpanos mostram filósofos da Antiguidade, como Pitágoras, Sócrates, Platão e Aristóteles, ao lado de evangelistas e profetas, reforçando a ideia de uma preparação natural da humanidade para a revelação divina. Oradores romanos como Cícero, gramáticos como Donato, e pensadores cristãos que sintetizaram saberes antigos, como Boécio, são representados em contextos que exaltam a razão como instrumento a serviço da fé. Nesse sentido, a Igreja posiciona-se como guardiã da alta cultura, articulando o saber clássico à nova ordem espiritual cristã, sobretudo em meio à instabilidade provocada pelas invasões bárbaras, pelos choques culturais e pelas recomposições imperiais. O Império Bizantino e o Sacro Império Romano-Germânico, ao lado do Reino Franco, destacam-se como matrizes civilizacionais da Europa cristã. A adoção da planta basilical e sua transição para os estilos românico e gótico são testemunhos visíveis desse processo. Entretanto, na Península Ibérica, a invasão muçulmana de 711 rompeu essa continuidade direta, traçando uma história singular e marcada pela convivência e conflitos entre cristãos, judeus e muçulmanos. É digno de nota que o ensino da história medieval no Brasil frequentemente ignora essa trajetória ibérica, da qual somos descendentes diretos, privilegiando as narrativas francesa, anglo-saxã, germânica e italiana, relegando Portugal e Espanha a uma posição marginal no imaginário historiográfico nacional.

Figura 8: Catedral de Chartres, França: Artes liberais. Fachada ocidental, direita. Virgem entronada. Fotos e ilustração: Marcelo Albuquerque (2019).
ELEMENTOS ARQUITETÔNICOS E ORNAMENTAIS
A ornamentação da igreja apresenta características do estilo neomanuelino, especialmente na fachada externa, com arcos polilobados, relevos vegetais e elementos de influência marítima, inspirados no Mosteiro dos Jerónimos e em outros edifícios de Lisboa. O caráter decorativo destaca-se no detalhamento de portas e janelas, aproximando-se da gramática ornamental manuelina, típica do século XVI português. Referências neomanuelinas no Brasil o Real Gabinete de Leitura Português, no Rio de Janeiro, e o atual Museu da Moda, em Belo Horizonte, construído no mesmo período da Igreja São José.

Figura 9: O manuelino português na Igreja da Conceição de Lisboa, sobrevivente do terremoto de 1755. O neomanuelino brasileiro, no Gabinete Real de Leitura Português, no Rio de Janeiro. Fotos: Marcelo Albuquerque (2023; 2017).
Como vimos anteriormente, sua planta em cruz latina — com nave central, naves laterais, transepto saliente e abside poligonal, remete à tipologia basilical romana, adaptada e enriquecida ao longo dos séculos por influências bizantinas, românicas e renascentistas. As colunas internas da igreja apresentam capitéis coríntios, caracterizados por folhas de acanto estilizadas e volutas, elementos típicos da ordem coríntia da arquitetura clássica.
A decoração interna, realizada pelo artista alemão Guilherme Schumacher entre 1910 e 1912, inclui pinturas que imitam mosaicos e tesselas de tradição bizantina, especialmente nos painéis do presbitério e da abside. Destacam-se representações da Santíssima Trindade, da Virgem com o Menino Jesus, dos doze apóstolos e dos quatro evangelistas, além de medalhões com os antepassados de Jesus, desde Abraão até São José. No clerestório, encontram-se representações de anjos com traços estilizados e linhas sinuosas, características do movimento Art Nouveau, que valorizava a integração decorativa entre arte e arquitetura. Esses elementos são raríssimos em Belo Horizonte, pois a cidade perdeu a maior parte de seu patrimônio eclético e Art Nouveau ao longo do tempo, devido ao crescimento urbano e à demolição dos edifícios antigos. Entretanto, o Art Déco, movimento posterior, já apresenta mais exemplares restaurados nas regiões mais antigas da cidade, concebido entre 1925 e 1945.
As naves laterais da igreja exibem, em suas abóbadas, os doze signos do zodíaco, simbolizando a ordem divina e a harmonia celestial. Essa iconografia, frequentemente mal interpretada como esotérica, tem raízes na tradição cristã medieval, na qual os signos zodiacais representavam a criação divina e o ciclo do tempo sob a soberania de Deus. Essa representação dos signos do zodíaco na arquitetura sacra remete às portadas das catedrais românicas e góticas medievais, que frequentemente incluíam elementos celestes, as Artes Liberais (vistas anteriormente em Chartres), filósofos, vícios e virtudes, o Juízo Final, além da vida dos santos específicos de cada região. Essas iconografias serviam como catequese visual para os fiéis, transmitindo ensinamentos morais e espirituais por meio da arte e das Artes Liberais. Não é possível compreender a evolução da educação e do ensino na Idade Média sem a presença desses elementos, frequentemente representados nas catedrais e escolas catedráticas, como mostram Amiens, na França, e Santa Maria del Fiore, em Florença, na Itália.

Figura 10: Capitel coríntio. Ilustração e adaptação (IA): Marcelo Albuquerque (2025). À direita, capitel coríntio com douramento, ladeado de ornamentos em estêncil. Abaixo, Anjos em estilo Art Nouveau emoldurando cenas da vida de Cristo, acima do clerestório. Observe a pintura que emula mosaicos. Igreja São José (Belo Horizonte). Fotos: Marcelo Albuquerque (2024).
Os pisos das igrejas podem ser associados à tradição dos pavimentos cosmatescos das igrejas de Roma, caracterizados por mosaicos geométricos em elos que simbolizam a ordem divina e a harmonia do universo. Outra referência importante vem das igrejas góticas francesas, como a Catedral de Amiens, que possui em seu cruzeiro um esplendoroso labirinto, símbolo da busca tortuosa do homem por Deus e que representa os percursos do peregrino até sua presença. O labirinto também está representado em San Vitale, em Ravena, com o mesmo sentido de caminho tortuoso ao fiel.
No altar-mor, destaca-se um painel que representa a Santíssima Trindade entre anjos e santos. No presbitério, o teto apresenta Nossa Senhora com o Menino Jesus, cercada por 40 medalhões que retratam os antepassados de Jesus. A Árvore de Jessé, uma representação da genealogia de Cristo, é comumente encontrada nas tradições góticas e barrocas, como vemos na Basílica de São Francisco, no Porto, e na Igreja de Santa Maria della Croce, em Florença. As paredes laterais exibem os quatro evangelistas e os doze apóstolos.
As pinturas dos altares laterais narram episódios da vida de Santo Afonso, a promessa da Redenção feita a Adão e Eva, a aparição de Nossa Senhora de Lourdes a Bernadete, a história do quadro de Nossa Senhora do Perpétuo Socorro, o Calvário e a aparição do Sagrado Coração a Santa Margarida Maria. A influência do movimento Arts and Crafts é perceptível na atenção aos detalhes artesanais e na integração entre arquitetura e pintura, especialmente nos padrões decorativos de estêncil que remetem ao gosto do período final vitoriano, conforme os manuais da época, como de William Morris e Owen Jones (1856). Manifesta-se na riqueza dos detalhes em madeira, ferro forjado e vitrais coloridos, enquanto o Art Nouveau se revela nas linhas curvas, nos relevos florais e nas formas orgânicas das pinturas murais.

Figura 11: Estuques com figuras angelicais e Flor de Lis. Igreja de São José (Belo Horizonte). Fotos: Marcelo Albuquerque (2024).
CONSIDERAÇÕES FINAIS
A Igreja de São José constitui não apenas um marco da religiosidade e da vida urbana da capital mineira, mas também um testemunho da permanência das formas arquitetônicas tradicionais na cultura ocidental. Sua planta em cruz latina, os capitéis coríntios, o transepto bem delineado, a abside ricamente decorada, os vitrais e a iconografia sacra revelam uma continuidade histórica que remonta às basílicas romanas, atravessa o cristianismo bizantino, o românico e o gótico, e se atualiza no ecletismo historicista do início do século XX. Esse edifício sacro sintetiza, em pedra, alvenaria, cor e forma, o legado arquitetônico que integra funcionalidade litúrgica, beleza simbólica e pedagogia visual.
A riqueza estética da Igreja de São José e a persistência de sua forma basilical contrastam com as recorrentes dessacralizações observadas em parte da produção arquitetônica contemporânea, marcada por certo relativismo modernista. Com frequência, observa-se a substituição de parâmetros simbólicos e transcendentais por soluções pragmáticas, guiadas por critérios meramente técnicos ou por modismos estéticos de baixa qualidade. A adoção, em contextos religiosos, de estilos industriais, minimalistas ou brutalistas, muitas vezes guiada por arquitetos alheios à liturgia e à tradição, compromete a experiência espiritual e desfigura o sentido simbólico do templo como espaço do sagrado. A questão não está na escolha de um estilo específico, mas na percepção mais ampla dos fundamentos culturais que orientam a arte sacra. A beleza, enquanto categoria teológica e estética, não pode ser negligenciada sem empobrecimento da fé sensível e da tradição viva.
Preservar e valorizar templos como a Igreja de São José é afirmar também a importância da beleza na arquitetura religiosa e na vida cultural de um povo. A continuidade das formas não deve ser vista como resistência ao novo, mas como fidelidade a uma gramática simbólica construída coletivamente ao longo dos séculos. A responsabilidade de cultivar tais valores cabe não apenas ao clero, mas também aos artistas, arquitetos, educadores e à sociedade em geral, cuja sensibilidade estética deve ser constantemente formada e renovada.
NOTAS
- Professor, artista, historiador e escritor. Membro efetivo, cadeira no. 54, do Instituto Histórico e Geográfico de Minas Gerais, professor universitário dos cursos de Arquitetura e Urbanismo e Design do Grupo Ânima (Uni-BH e UNA). Mestre em Artes pela EBA-UFMG, Especialista em História da Arte pela PUC-MG, Especialista em Ensino Superior pelo Instituo Ânima; bacharel em Belas Artes pela UFMG. Contatos: estudioalbuquerque.com.br, artealbuquerque.com.br, estudioalbuquerque@icloud.com.
- Manuelino e Neomanuelino: o estilo manuelino é uma variante tardia do gótico português, desenvolvido durante o reinado de D. Manuel I (1495–1521), período de grande prosperidade ligada às navegações. Caracteriza-se pela exuberância ornamental, incorporando motivos náuticos (como cordas, esferas armilares, conchas, corais e nós), vegetais (folhagens e ramagens) e símbolos da fé (cruzes da Ordem de Cristo, por exemplo). Sua aplicação é marcante em portais, janelas e nervuras de abóbadas, como exemplificado no Mosteiro dos Jerónimos e na Torre de Belém, ambos em Lisboa. O manuelino representa uma síntese entre o gótico final, o renascimento e a simbologia do poder marítimo português. O neomanuelino é um estilo revivalista do século XIX, inserido no contexto do historicismo europeu e do romantismo arquitetônico. Retoma os elementos formais e simbólicos do manuelino quinhentista, reinterpretando-os com técnicas e materiais da arquitetura oitocentista. Espalhou-se sobretudo em Portugal e no Brasil, sendo utilizado em edifícios civis, religiosos e públicos, como forma de exaltar o passado glorioso da nação. Arcos polilobados, pináculos, cordames esculpidos, esferas armilares e motivos vegetalistas reaparecem como marcas ornamentais. No Brasil, a sua presença está associada a igrejas e monumentos urbanos que buscavam expressar prestígio, memória e identidade luso-brasileira.
- Art Nouveau: foi um movimento artístico internacional surgido entre os anos 1890 e 1910, caracterizado por uma estética orgânica, sinuosa e decorativa. Inspirado por formas naturais como plantas, flores, insetos e corpos femininos, o estilo buscava integrar as artes plásticas, a arquitetura e o design em uma linguagem unitária. Linhas curvas, arabescos, vitrais coloridos e motivos estilizados dominam sua iconografia. O movimento teve expressões notáveis na Bélgica (com Victor Horta), na França (Hector Guimard), na Catalunha (Antoni Gaudí) e na Áustria (Otto Wagner). No Brasil, manifestou-se em elementos decorativos de fachadas, grades, mobiliário e vitrais, especialmente em centros urbanos como São Paulo, Rio de Janeiro e Belo Horizonte.
- Arts and Crafts: surgiu na Inglaterra, na segunda metade do século XIX, como reação à mecanização e à produção em massa promovidas pela Revolução Industrial. Inspirado pelas ideias de William Morris e John Ruskin, defendia a valorização do trabalho artesanal, a integridade dos materiais e o retorno a princípios de simplicidade e honestidade construtiva. Mais do que um estilo, o movimento foi uma filosofia que influenciou a arquitetura, o design de interiores, a marcenaria, a cerâmica e a encadernação. Sua estética associa funcionalidade e beleza, com formas geométricas claras e ornamentações discretas, geralmente inspiradas na natureza ou em motivos medievais. No campo arquitetônico, promoveu casas simples e integradas ao entorno natural, marcadas por detalhamento artesanal e uso de materiais vernáculos.
REFERÊNCIAS
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